29/04/2026 - Moradores do entorno da linha 17-ouro reclamam de insegurança
A Linha 17-Ouro do monotrilho completa um mês de funcionamento nesta semana em meio a avaliações positivas e negativas dos passageiros. Mas, além do serviço, um outro problema tem chamado a atenção: moradores dos bairros vizinhos denunciam a presença constante de pessoas em situação de rua e usuários de drogas sob o viaduto da linha.
A chegada do monotrilho é vista como um alívio para quem esperava há décadas por uma nova opção de transporte e pelo fim das obras na Avenida Jornalista Roberto Marinho. No entanto, a concentração de usuários de drogas na região segue sem solução.
Nesta terça-feira (29), o fluxo de dependentes químicos estava espalhado pela avenida. Agentes da Guarda Civil Metropolitana circularam pelo entorno acompanhando equipes que recolhiam objetos deixados por pessoas que passaram a ocupar ruas próximas. Moradores afirmam que a situação piorou nos últimos dias.
“Hoje mesmo a gente presenciou aí o pessoal vendendo droga. Os carros paravam, compravam droga e saíam. Aí a gente acionou a Polícia Militar e falou: ‘olha não está dando'. De uns dias para cá a situação se agravou demais", disse o gerente predial Marcelo Marques da Silva.
Linha 17-Ouro completa um mês com queixas de insegurança e ocupação por usuários de drogas no entorno
Reprodução/TV Globo
O impacto na segurança pública também é percebido por quem vive na região.
“Não tem um horário específico e assim, eles tomam conta de um jeito que você não consegue mais tirá-los, que é o que está acontecendo aqui no fundo do meu prédio. Os adolescentes ainda dá mais medo porque eles são brutalmente mais desinibidos, digamos assim, porque eles não têm medo de estar no lugar e nem de confrontar mesmo quando você é morador".
Na Rua Doutor Estácio Coimbra, a poucos metros do monotrilho, moradores dizem ter percebido uma migração de dependentes químicos, que ocupam a via em determinados horários. Mesmo com câmeras instaladas, a ação de criminosos não é inibida.
Segundo Marcelo Marques da Silva, equipamentos de segurança já foram alvo de furtos.
“A gente tem uma câmera que fica bem aqui ao lado. Essa câmera já foi roubada duas vezes. Essa câmera, na verdade, era só um poste de plástico, não tem valor nenhum, mas é a câmera e eles trocam por nada. É a segunda ou a terceira vez que a gente está mexendo nessas câmeras agora”, afirmou.
A insegurança também impacta o funcionamento do transporte público. Às vésperas de completar um mês de operação — ainda de forma parcial — a Linha 17-Ouro já registra cinco casos de furto de cabos, sendo três com impacto direto na circulação dos trens.
Dois desses casos ocorreram na madrugada desta terça. Um homem de 28 anos foi preso em flagrante suspeito de furtar cabos de cobre da estrutura do monotrilho. Segundo a polícia, ele foi detido quando levava o material para um ferro-velho da região. No outro caso, ninguém foi identificado.
Em entrevista ao SP2, o gerente de operações do Metrô afirmou que há trabalho conjunto com a Secretaria da Segurança Pública para tentar resolver o problema. Moradores cobram mais atenção das autoridades.
“Todo mundo ficou voltado para Roberto Marinho, para o monotrilho e esqueceu que do lado de cá também tinha um bairro que também precisava de segurança e isso não acontece”, disse outra moradora, sem se identificar.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que o policiamento foi reforçado na região, o que resultou na prisão do suspeito na madrugada desta terça. Disse ainda que as forças policiais atuam de forma integrada no combate ao furto e à receptação de fios e cabos metálicos, com operações em ferros-velhos e recicladoras.
A Prefeitura de São Paulo afirmou que mantém trabalho contínuo de oferta de tratamento e acolhimento a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade, além de ações de zeladoria e segurança para combater o tráfico de drogas e outros crimes na região.
Moradores relatam aumento da criminalidade e furtos de cabos na avenida Roberto Marinho
Reprodução/TV Globo
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